Subestações Elétricas

Relé Falta de Fase: Tipos e Proteção de Motores

Entenda o relé falta de fase: funcionamento, tipos (sequência, assimetria, sub/sobretensão), instalação, ajustes e como proteger motores trifásicos industriais.

10 min de leitura
Relés elétricos industriais montados em painel de controle com fiação organizada
Resumir com IA:

O relé falta de fase é um dos dispositivos de proteção mais importantes em qualquer instalação elétrica industrial que opere com motores trifásicos. Quando uma das três fases do sistema falha, o motor continua tentando funcionar com apenas duas fases, gerando sobrecorrente, superaquecimento e, em questão de minutos, queima irreversível do enrolamento. Um motor trifásico de 100 CV pode custar mais de R$ 30.000 para substituir, sem contar o prejuízo com a parada da linha de produção.

Na AgaVolt Engenharia, vemos com frequência instalações industriais onde a proteção contra falta de fase simplesmente não existe, ou foi desativada "porque ficava desarmando". O resultado é sempre o mesmo: motores queimados, produção parada e custos que poderiam ter sido evitados com um dispositivo que custa menos de R$ 200. Para entender os diferentes tipos de proteção disponíveis, consulte nosso [guia de proteção elétrica](/blog/protecao-eletrica/).

Um relé falta de fase de R$ 150 pode salvar um motor de R$ 30.000. Proteção não é custo, é investimento.

O que é um relé falta de fase e por que ele é essencial

Um relé falta de fase, também chamado de relé monitor de fase ou relé de proteção trifásica, é um dispositivo eletrônico que monitora continuamente as três fases (L1, L2, L3) de um circuito trifásico. Quando detecta a ausência de uma ou mais fases, ele atua em milissegundos, desconectando o circuito e impedindo que os equipamentos conectados operem em condições que causariam danos.

O princípio é simples: o circuito eletrônico interno analisa constantemente a tensão das três fases nos terminais de entrada. Enquanto as três fases estiverem presentes e dentro dos parâmetros normais, o relé mantém seus contatos na posição de operação (contato NA fechado). No momento em que uma fase desaparece ou apresenta anomalia, o microprocessador interno comuta os contatos, desligando o circuito de comando que alimenta o contator do motor.

A atuação é extremamente rápida. Segundo dados de fabricantes como ABB e Coel, o tempo de comutação típico é de 20 milissegundos, muito mais rápido que qualquer proteção térmica convencional.

Módulos de relé em placa eletrônica com fiação colorida conectada

Quais problemas o relé monitor de fase detecta

Os modelos modernos de relés monitores de fase vão muito além da simples detecção de falta de fase. Dependendo da versão, podem monitorar até cinco condições anormais no sistema trifásico:

Falta de fase

É a função básica: detectar quando uma das três fases (R, S ou T) deixa de existir. As causas mais comuns incluem rompimento de cabos, fusível queimado, mau contato em terminais, abertura de seccionadora ou falha na rede da concessionária. Sem proteção, o motor trifásico continua girando com apenas duas fases, absorvendo corrente excessiva nos enrolamentos remanescentes até queimar.

Inversão de sequência de fase

Ocorre quando a ordem das fases (L1-L2-L3) é trocada, geralmente após uma manutenção ou reconexão. Em motores, isso inverte o sentido de rotação, o que pode causar danos mecânicos graves em bombas, compressores e esteiras transportadoras. O relé bloqueia o funcionamento até que a sequência correta seja restabelecida.

Assimetria de fase (desequilíbrio)

Quando as tensões entre as três fases apresentam diferenças significativas (tipicamente acima de 5% a 8%), indica problemas na rede de distribuição ou cargas desbalanceadas. Motores operando com desequilíbrio de fase sofrem aquecimento desproporcional e redução de vida útil. Segundo a NBR 14039, a proteção contra desequilíbrio é recomendada em subestações simplificadas.

Subtensão

Quando a tensão de alimentação cai abaixo do valor nominal (geralmente configurável entre 85% e 95% da tensão nominal). Subtensão faz o motor consumir mais corrente para manter o torque, acelerando o desgaste térmico dos enrolamentos.

Sobretensão

Quando a tensão ultrapassa o valor nominal (configurável entre 105% e 115%). Sobretensão pode danificar o isolamento dos enrolamentos e componentes eletrônicos sensíveis no circuito de comando.

Tipos de relés monitores de fase

O mercado brasileiro oferece três categorias principais de relés monitores de fase, com diferentes níveis de proteção:

Versão básica

Monitora apenas falta de fase e inversão de sequência. É a opção mais econômica (R$ 80 a R$ 150) e suficiente para aplicações simples onde a rede elétrica é estável. Indicada para motores de pequeno porte em instalações com alimentação confiável.

Versão padrão

Adiciona monitoramento de assimetria de fase e sub/sobretensão com limiares ajustáveis. Faixa de preço entre R$ 150 e R$ 350. É a versão mais utilizada na indústria brasileira, pois cobre os problemas mais frequentes da rede elétrica nacional, que sofre com oscilações de tensão em regiões com infraestrutura deficiente.

Versão avançada

Oferece monitoramento completo com múltiplos parâmetros configuráveis, temporização ajustável, saída analógica para CLP e comunicação digital. Preços a partir de R$ 400. Indicada para processos críticos onde a parada não programada tem alto custo (indústria alimentícia, farmacêutica, data centers).

Entre os fabricantes com presença forte no Brasil, destacam-se: WEG (linha RPW), Coel (linha BVTQ), ABB, Schneider Electric (linha Harmony), Metaltex (linha DFF) e Clip (linha CLPW).

Eletricista utilizando multímetro para verificar fiação de painel de controle industrial

Como instalar o relé falta de fase

A instalação é relativamente simples, mas exige atenção aos detalhes para garantir a proteção efetiva. O relé é montado no painel de comando, geralmente em trilho DIN, e integrado ao circuito de controle do motor.

Esquema de ligação típico

  • Terminais de entrada (L1, L2, L3): Conectar às três fases da rede, após o disjuntor geral. Em alguns modelos, há também terminal para neutro (N)
  • Contato de saída (NA/NF): Ligar em série com a bobina do contator que alimenta o motor. Quando o relé detecta falha, o contato abre e o contator desliga o motor
  • Alimentação auxiliar: Alguns modelos têm alimentação independente; outros são alimentados pelas próprias fases monitoradas

Sequência de instalação

  • Desenergizar o painel completamente e confirmar ausência de tensão
  • Montar o relé em trilho DIN dentro do painel
  • Conectar as fases L1, L2 e L3 nos terminais de monitoramento
  • Conectar o contato de saída do relé em série com a bobina do contator
  • Energizar e verificar se o LED de indicação acende (todas as fases presentes)
  • Testar a proteção desconectando uma fase e verificando se o contator desarma

Toda intervenção em painéis elétricos deve ser realizada por profissional habilitado conforme NR-10, com uso de EPIs adequados. Veja nosso guia sobre manutenção preventiva de instalações elétricas industriais para mais detalhes sobre procedimentos seguros.

Ajuste e calibração

Após a instalação, o relé precisa ser ajustado conforme as características da rede e dos equipamentos protegidos:

  • Limiar de assimetria: Ajustar entre 5% e 15% conforme a qualidade da rede local. Redes instáveis podem precisar de limiares mais tolerantes para evitar desarmes frequentes
  • Subtensão: Configurar entre 85% e 95% da tensão nominal. Para motores que precisam de partida pesada, usar valor mais baixo (85%)
  • Sobretensão: Configurar entre 105% e 115% da tensão nominal
  • Temporização: Ajustar o tempo de retardo (tipicamente 0,5 s a 10 s) para evitar atuações indevidas por perturbações transitórias na rede
  • Trimmer de sensibilidade: Em modelos analógicos, usar o potenciômetro frontal para ajuste fino. Energizar o relé, girar lentamente até o ponto de disparo e recuar ligeiramente
Relé mal ajustado é pior que relé inexistente: ou desarma sem necessidade (parando a produção) ou não atua quando deveria (queimando o motor).

Por que motores trifásicos queimam sem proteção de fase

Para entender a importância do relé falta de fase, é preciso entender o que acontece fisicamente quando uma fase desaparece:

  • Motor em operação: Quando uma fase cai com o motor girando, ele continua rodando como motor monofásico. A corrente nas duas fases remanescentes aumenta até 1,73 vezes (raiz de 3) o valor nominal
  • Aquecimento assimétrico: Os enrolamentos ligados às fases remanescentes superaquecem, enquanto o enrolamento da fase ausente sofre tensões induzidas anormais
  • Tempo para queima: Dependendo da carga, um motor operando com falta de fase pode queimar em 5 a 30 minutos
  • Motor na partida: Se uma fase está ausente no momento da partida, o motor simplesmente não gira, emitindo um zumbido intenso. A corrente de rotor bloqueado (6 a 8 vezes a nominal) destrói os enrolamentos em segundos

O relé térmico (bimetálico) convencional oferece proteção contra sobrecorrente, mas sua atuação é lenta (minutos) e não detecta especificamente a condição de falta de fase. O relé falta de fase atua em 20 ms, antes que qualquer aquecimento significativo ocorra. As duas proteções são complementares e devem ser usadas em conjunto.

Para uma visão mais ampla sobre coordenação de dispositivos de proteção, consulte nosso artigo sobre coordenação de proteção.

Painel de controle industrial com chaves seletoras e instrumentos de medição

Normas brasileiras aplicáveis

As principais normas que orientam a aplicação de relés monitores de fase em instalações industriais brasileiras são:

  • ABNT NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. Estabelece requisitos de proteção para circuitos trifásicos, incluindo proteção contra falta de fase em motores
  • ABNT NBR 14039: Instalações elétricas de média tensão. Recomenda a instalação de relés de proteção de tensão com funções de subtensão, sobretensão e falta de fase em subestações industriais
  • NR-10: Segurança em instalações e serviços em eletricidade. Define requisitos para que toda instalação elétrica possua dispositivos de proteção contra riscos
  • NR-12: Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. Exige dispositivos de proteção em circuitos de comando de máquinas, incluindo proteção contra falta de fase

Na prática, embora não exista uma obrigatoriedade explícita de instalar relé falta de fase em cada motor, as normas exigem que os equipamentos sejam protegidos contra condições de operação anormais. O relé monitor de fase é a solução técnica mais adequada e econômica para atender a esse requisito.

Quando e onde instalar relé falta de fase

Recomendamos a instalação de relé monitor de fase em todas as seguintes situações:

  • Motores trifásicos de qualquer potência: Especialmente acima de 5 CV, onde o custo de substituição justifica amplamente o investimento em proteção
  • Compressores e bombas: Equipamentos que não podem girar ao contrário (inversão de sequência causa dano mecânico imediato)
  • Esteiras transportadoras: Inversão de sentido pode causar acúmulo de material e acidentes
  • Equipamentos com CLP: O CLP pode monitorar o estado do relé e registrar eventos para análise de manutenção preditiva
  • Instalações com gerador de emergência: A transição rede-gerador pode causar inversão de fase se a fiação não for cuidadosamente verificada
  • Regiões com rede elétrica instável: Áreas rurais, distritos industriais saturados ou regiões com histórico de quedas de fase

Em subestações industriais, o relé falta de fase trabalha em conjunto com disjuntores de média tensão e outros dispositivos do sistema de proteção elétrica para garantir a continuidade operacional da planta.

Perguntas frequentes sobre relé falta de fase

O que é relé falta de fase e para que serve?

O relé falta de fase é um dispositivo eletrônico de proteção que monitora as três fases de um sistema trifásico e desliga automaticamente o circuito quando detecta a ausência de uma ou mais fases. Sua principal função é proteger motores elétricos trifásicos contra queima causada por operação com fases faltantes. Modelos avançados também detectam inversão de sequência, assimetria, subtensão e sobretensão.

Como funciona o relé monitor de fase?

O relé possui um circuito eletrônico que analisa continuamente a tensão nas três fases (L1, L2, L3). Quando todas as fases estão presentes e dentro dos parâmetros normais, o contato de saída permanece acionado, permitindo a operação do circuito. Ao detectar anomalia, o microprocessador interno comuta os contatos em aproximadamente 20 milissegundos, desligando a bobina do contator e interrompendo a alimentação do motor antes que ocorra qualquer dano.

Qual a diferença entre relé falta de fase e relé térmico?

O relé falta de fase monitora a presença e qualidade das fases da rede, atuando em milissegundos. O relé térmico monitora a corrente do motor, atuando em segundos a minutos. São proteções complementares: o relé de fase previne a causa (alimentação anormal), enquanto o relé térmico protege contra o efeito (sobrecorrente). Ambos devem ser instalados juntos para proteção completa do motor.

Quanto custa um relé falta de fase?

Os preços no mercado brasileiro variam de R$ 80 a R$ 500, dependendo do fabricante e das funções incluídas. Modelos básicos (falta de fase + sequência) custam entre R$ 80 e R$ 150. Modelos padrão com monitoramento de assimetria e tensão ficam entre R$ 150 e R$ 350. Modelos avançados com comunicação digital e múltiplos parâmetros partem de R$ 400. Marcas como WEG, Coel, ABB, Schneider, Metaltex e Clip são encontradas em distribuidores elétricos de todo o Brasil.

O relé falta de fase é obrigatório por norma?

Não existe uma obrigatoriedade direta de instalar especificamente um relé falta de fase. Porém, a NBR 5410, a NBR 14039 e a NR-12 exigem que instalações elétricas e máquinas possuam proteção contra condições de operação anormais. O relé monitor de fase é a solução técnica mais adequada para atender a esse requisito normativo, sendo fortemente recomendado em toda instalação com motores trifásicos.

Se sua instalação industrial opera com motores trifásicos e você quer garantir proteção adequada contra falta de fase, a AgaVolt Engenharia pode realizar uma avaliação técnica das suas instalações e recomendar as soluções de proteção mais adequadas para o seu caso. Entre em contato.

Com conteúdo de Schneider Electric Blog

Fotos: Pexels

Compartilhar:

Precisa de um especialista em subestações?

Fale com a equipe AgaVolt para uma avaliação técnica personalizada.

Equipe AgaVolt

Autor

Somos a AgaVolt Engenharia, especialistas em subestações elétricas industriais com mais de 15 anos de experiência. Atuamos em todo Brasil com serviços de manutenção, comissionamento, testes elétricos e estudos de proteção.

CREA registrado
NR-10/SEP certificado