Indicador de Temperatura de Enrolamento (WTI): Guia Completo para Transformadores
Entenda o que é o WTI, como funciona o indicador de temperatura de enrolamento em transformadores, tipos, ajustes e normas ABNT aplicáveis.
A temperatura é o principal inimigo silencioso dos transformadores de potência. Cada grau acima do limite recomendado acelera a degradação do isolamento, reduz a vida útil do equipamento e aproxima a instalação de uma falha catastrofica. É por isso que o indicador de temperatura de enrolamento, conhecido pela sigla WTI (Winding Temperature Indicator), é um dos instrumentos mais importantes montados em transformadores imersos em liquido isolante.
Em subestacoes industriais brasileiras, onde transformadores de 500 kVA a 30 MVA operam sob cargas variáveis e temperaturas ambientes que frequentemente ultrapassam 35°C, o monitoramento térmico não é apenas uma boa prática. É uma exigencia normativa e uma necessidade operacional. A ABNT NBR 5356 e suas partes complementares, em especial a NBR 5356-2 (Aquecimento) e a NBR 16367 (Acessórios), definem os requisitos para esses dispositivos. O monitoramento contínuo da temperatura é um dos pilares de um programa de manutenção preventiva eficaz.
Neste artigo, a equipe técnica da AgaVolt Engenharia explica o funcionamento dos indicadores de temperatura de óleo (OTI) e de enrolamento (WTI), os tipos disponíveis no mercado, como interpretar suas leituras e como integrá-los a uma estratégia eficiente de manutenção preventiva de transformadores.
Estima-se que cada aumento de 6 a 8°C acima da temperatura nominal de operação reduz pela metade a vida útil do isolamento de um transformador de potência.
Por que monitorar a temperatura do enrolamento?
O enrolamento é o componente mais crítico termicamente em um transformador. As perdas elétricas nos condutores de cobre ou alumínio geram calor, que é transferido ao óleo isolante e, dele, ao ambiente externo através dos radiadores e sistemas de ventilação. Quando essa dissipação é insuficiente (por sobrecarga, falha no resfriamento ou temperatura ambiente elevada), a temperatura do enrolamento sobe além dos limites projetados.
O impacto direto é a degradação acelerada do isolamento. O papel Kraft impregnado em óleo mineral, utilizado como isolante nos enrolamentos da maioria dos transformadores de potência, segue um modelo de envelhecimento térmico bem documentado. Segundo a norma internacional IEEE C57.91 (Guide for Loading Mineral-Oil-Immersed Transformers), a relação é exponencial: cada 8°C de aumento na temperatura do ponto quente (hotspot) dobra a taxa de envelhecimento do isolamento.
Na prática, isso significa que um transformador projetado para operar com temperatura de hotspot de 110°C e vida útil esperada de 20 anos pode ter essa expectativa reduzida para 10 anos se operar continuamente a 118°C, ou para apenas 5 anos a 126°C.
As consequencias de não monitorar adequadamente incluem:
- Falha prematura do isolamento: curto-circuito entre espiras ou entre enrolamento e núcleo
- Geração de gases combustíveis: o sobreaquecimento decompõe o óleo e o papel, gerando hidrogênio, monóxido de carbono e hidrocarbonetos detectáveis por cromatografia gasosa
- Perda total do equipamento: falhas térmicas em transformadores de potência frequentemente resultam em incendio ou explosão do tanque
- Parada não programada da planta: o transformador é o componente central da subestação de energia, e sua falha compromete toda a operação industrial
OTI e WTI: Qual a diferença?
Antes de aprofundar no WTI, é importante distinguir os dois indicadores de temperatura presentes em transformadores de potência imersos em líquido isolante:
OTI: Indicador de Temperatura do Óleo
O OTI (Oil Temperature Indicator) mede a temperatura do óleo isolante na parte superior do tanque do transformador, onde o óleo é mais quente. É o indicador mais básico e está presente em praticamente todos os transformadores de potência acima de 500 kVA.
O OTI funciona por expansão volumétrica de líquido. Um bulbo sensor é imerso em um poço termométrico localizado na tampa do tanque. Esse bulbo é conectado por um tubo capilar a um mecanismo de fole dentro do mostrador. Conforme a temperatura do óleo sobe, o líquido dentro do sistema selado se expande, movendo o ponteiro no mostrador.
Ajustes típicos do OTI em transformadores industriais brasileiros:
- Alarme: 85°C
- Desligamento (trip): 95°C
WTI: Indicador de Temperatura do Enrolamento
O WTI (Winding Temperature Indicator) vai além: ele estima a temperatura do ponto quente do enrolamento, que é sempre superior à temperatura do óleo. A temperatura do enrolamento não pode ser medida diretamente em transformadores convencionais (o sensor teria que estar imerso no óleo, dentro das bobinas). Por isso, o WTI utiliza um método indireto de simulação térmica.
Ajustes típicos do WTI:
- Acionamento de ventiladores: desliga em 58°C, liga em 64°C
- Acionamento de bombas de óleo: desliga em 68°C, liga em 72°C
- Alarme: 105°C
- Desligamento (trip): 115°C
O WTI é o "olho" da proteção térmica do transformador. Ele não mede apenas a temperatura do óleo, como o OTI, mas simula a temperatura real do ponto mais quente do enrolamento, que é onde o isolamento falha primeiro.
Como funciona o WTI: Princípio de operação
O funcionamento do WTI é baseado na combinação de duas grandezas: a temperatura do óleo no topo do tanque e um aquecimento adicional proporcional à corrente de carga do transformador.
O sistema funciona da seguinte forma:
- Sensor de temperatura do óleo: um bulbo sensor, idêntico ao do OTI, mede a temperatura do óleo na parte superior do tanque, conectado ao mostrador por um tubo capilar.
- Elemento aquecedor (heater): um resistor elétrico é alimentado por um transformador de corrente (TC) instalado na bucha de saída do transformador. A corrente que passa pelo heater é proporcional à corrente de carga do transformador.
- Simulação térmica: o calor gerado pelo heater é adicionado à leitura do bulbo sensor, simulando o gradiente de temperatura entre o óleo e o enrolamento. Quanto maior a corrente de carga, maior o aquecimento adicional, e maior a indicação de temperatura no mostrador.
- Indicação no mostrador: o ponteiro exibe a temperatura simulada do hotspot do enrolamento, que é a soma da temperatura do óleo com o gradiente térmico simulado pela corrente de carga.
Esse método, conhecido como simulação térmica indireta, é utilizado há décadas e está descrito nas normas internacionais IEC 60076-2 e IEEE C57.12. No Brasil, a ABNT NBR 16367 especifica os requisitos para indicadores de temperatura do óleo e dos enrolamentos utilizados em transformadores de potência definidos na NBR 5356-1.
Limitações do método indireto
A simulação térmica, embora eficaz, possui limitações que o profissional de manutenção deve conhecer:
- A calibração do heater é feita em fábrica com base no projeto térmico do transformador. Alterações na condição do óleo (degradação, contaminação) ou no sistema de resfriamento (radiadores obstruídos, ventiladores inoperantes) podem alterar o gradiente real sem que o WTI reflita essa mudança.
- O WTI indica a temperatura simulada do hotspot, não a temperatura real. Em transformadores com falhas internas incipientes (curto entre espiras, por exemplo), o aquecimento localizado pode não ser detectado pelo indicador.
- O tempo de resposta do sistema capilar é limitado. Variações bruscas de carga podem não ser refletidas imediatamente no mostrador.
Tipos de indicadores de temperatura
O mercado oferece diferentes tecnologias para indicação de temperatura em transformadores, cada uma com vantagens e aplicações específicas.
Indicadores de montagem direta (bimetálico)
São os modelos mais simples. Um elemento bimetálico (duas lâminas de metais diferentes unidas) se curva conforme a temperatura varia, movendo o ponteiro do mostrador. São compactos e adequados para transformadores menores (até 5 MVA), onde o poço termométrico é acessível no nível dos olhos.
Vantagens: simplicidade, baixo custo, sem necessidade de alimentação externa.
Limitação: precisão inferior ao sistema capilar, sem capacidade de montagem remota.
Indicadores de montagem remota (sistema capilar)
São o padrão para transformadores de média e grande potência. O bulbo sensor fica instalado no poço termométrico (geralmente na tampa do tanque, difícil de acessar) e o mostrador é montado em local acessível, como o painel de controle do transformador ou a porta do cubículo da subestação.
O tubo capilar, com comprimento típico de 3 a 15 metros, conecta os dois componentes. O sistema é preenchido com líquido de expansão térmica e é totalmente selado.
Vantagens: leitura à distância, precisão superior, compatibilidade com contatos auxiliares para alarme e trip.
Limitação: o capilar pode ser danificado durante instalação ou manutenção, comprometendo o sistema.
Monitores digitais de temperatura
A evolução tecnológica trouxe monitores digitais que substituem o sistema mecânico por sensores eletrônicos (RTD tipo Pt100 ou termistores) e processamento digital. A ABNT NBR 16367-4 especifica os requisitos para monitores digitais de temperatura do óleo e dos enrolamentos.
Esses equipamentos oferecem:
- Leitura digital com resolução de 0,1°C
- Registro histórico de temperaturas (datalogger)
- Múltiplos canais de medição (óleo, enrolamento HV, enrolamento LV)
- Comunicação via protocolo Modbus, DNP3 ou IEC 61850 para integração com sistemas SCADA
- Cálculo automático do envelhecimento acumulado do isolamento
- Contatos programáveis para alarme, trip e controle de ventilação
Vantagens: precisão, conectividade, diagnóstico avançado.
Limitação: custo mais elevado, necessidade de alimentação auxiliar, maior complexidade na configuração.
Sensores de fibra óptica
A tecnologia mais avançada disponível para monitoramento térmico de transformadores. Sensores de fibra óptica são instalados diretamente dentro dos enrolamentos durante a fabricação do transformador, permitindo a medição direta da temperatura real do hotspot.
São imunes a interferências eletromagnéticas e oferecem medição em tempo real com altíssima precisão. Seu uso é crescente em transformadores de grande potência (acima de 30 MVA) e em aplicações críticas como subestações de usinas e sistemas de transmissão.
Normas brasileiras aplicáveis
No Brasil, os requisitos para indicadores de temperatura em transformadores de potência são definidos por um conjunto de normas ABNT que se complementam:
| Norma | Título/Escopo | Relevância para o WTI |
|---|---|---|
| NBR 5356-1 | Transformadores de potência: Generalidades | Define requisitos gerais, incluindo acessórios de monitoramento |
| NBR 5356-2 | Transformadores de potência: Aquecimento | Estabelece limites de elevação de temperatura para enrolamentos e óleo |
| NBR 5356-7 | Guia de carregamento para transformadores imersos em líquido | Define modelos térmicos e limites de carregamento baseados em temperatura |
| NBR 16367-1 | Acessórios para transformadores: Indicadores de temperatura | Especifica requisitos para OTI e WTI mecânicos |
| NBR 16367-4 | Acessórios para transformadores: Monitor digital de temperatura | Especifica requisitos para monitores digitais de OTI/WTI |
Além das normas ABNT, os requisitos técnicos complementares do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), descritos na NT-ONS-097, definem exigencias adicionais para transformadores conectados ao SIN (Sistema Interligado Nacional), incluindo requisitos de monitoramento de temperatura.
Limites de temperatura conforme a NBR 5356-2
A NBR 5356-2, equivalente brasileira da IEC 60076-2, estabelece os limites de elevação de temperatura para transformadores de potência imersos em óleo mineral, considerando uma temperatura ambiente de referência de 20°C (média anual) e máxima de 40°C:
- Elevação de temperatura do óleo no topo: máximo 60 K (ou 60°C acima do ambiente)
- Elevação de temperatura média do enrolamento: máximo 65 K
- Elevação de temperatura do ponto quente (hotspot): máximo 78 K
Considerando a temperatura ambiente máxima de 40°C, os valores absolutos máximos seriam:
- Temperatura do óleo no topo: 100°C
- Temperatura média do enrolamento: 105°C
- Temperatura do ponto quente: 118°C
Na prática, em regiões do Brasil com temperatura ambiente média acima de 30°C (como o Norte e Nordeste), os limites efetivos são ainda mais apertados, exigindo atenção redobrada no planejamento da manutenção da subestação.
No Brasil, a combinação de temperaturas ambientes elevadas (acima de 35°C em diversas regiões) com cargas industriais pesadas torna o monitoramento térmico por WTI não apenas recomendável, mas indispensável para garantir a vida útil projetada do transformador.
Manutenção e calibração do WTI
Como qualquer instrumento de medição, o WTI requer manutenção periódica para garantir a confiabilidade das suas leituras. Um WTI descalibrado pode dar uma falsa sensação de segurança, permitindo que o transformador opere em sobretemperatura sem que os alarmes sejam acionados.
Inspeção visual periódica
Em cada ronda de inspeção (mensal ou conforme a política da planta), verificar:
- Integridade do mostrador (vidro, ponteiro, escala legível)
- Condição do tubo capilar (sem dobras, esmagamentos ou corrosão)
- Vedação do poço termométrico (ausência de vazamento de óleo)
- Estado dos contatos auxiliares (sem oxidação ou travamento)
- Coerência da leitura com a condição de carga do transformador
Teste funcional dos contatos
Semestralmente, os contatos de alarme e trip do WTI devem ser testados para garantir que atuarão quando necessário. O procedimento típico envolve:
- Aquecer o elemento sensor do WTI com equipamento de teste específico (simulador de temperatura)
- Verificar o acionamento sequencial: ventiladores, bombas, alarme e trip
- Conferir os setpoints de atuação com os valores de projeto
- Documentar os resultados e comparar com testes anteriores
Calibração
A calibração completa do WTI deve ser realizada a cada 3 a 5 anos, ou sempre que houver suspeita de desvio. O processo exige equipamento padrão de temperatura rastreável a padrões nacionais (INMETRO) e deve ser executado por laboratório qualificado.
Pontos de atenção na calibração:
- Verificar a faixa completa de operação (tipicamente 0 a 150°C)
- Conferir a linearidade da indicação
- Testar o heater do WTI com corrente proporcional ao TC
- Verificar o tempo de resposta do sistema
- Emitir certificado de calibração com incerteza expandida declarada
Integração com sistemas de proteção e controle
Em subestações modernas, o WTI não opera isoladamente. Ele faz parte de um sistema integrado de proteção e controle que inclui:
Controle de resfriamento
Os contatos do WTI são utilizados para acionar os estágios de resfriamento do transformador de forma automática:
- Estágio 1 (ONAN para ONAF): acionamento dos ventiladores quando a temperatura do enrolamento atinge o primeiro setpoint (tipicamente 64°C)
- Estágio 2 (ONAF para OFAF): acionamento das bombas de circulação forçada de óleo quando a temperatura atinge o segundo setpoint (tipicamente 72°C)
A sequência correta de acionamento é fundamental. Ventiladores que não partem quando deveriam podem levar o transformador a operar em sobretemperatura, mesmo que a carga esteja dentro dos limites nominais.
Proteção térmica (função 49T)
Em relés de proteção microprocessados, a função 49T (proteção contra sobrecarga térmica) utiliza um modelo matemático baseado na corrente de carga para calcular a imagem térmica do transformador. Em muitos projetos, a leitura real do WTI é utilizada para supervisionar e validar o modelo do relé, criando uma camada adicional de segurança.
Integração SCADA
Monitores digitais de temperatura com comunicação Modbus ou IEC 61850 permitem a transmissão das leituras de temperatura em tempo real para o sistema SCADA da planta. Isso possibilita:
- Monitoramento remoto 24/7 da condição térmica do transformador
- Registro histórico para análise de tendências e manutenção preditiva
- Geração automática de alarmes e relatórios
- Tomada de decisão baseada em dados para gerenciamento de carga
Problemas comuns e diagnóstico
Na experiência da equipe técnica da AgaVolt em manutenção de subestações industriais, alguns problemas com indicadores de temperatura se repetem com frequência:
WTI indicando temperatura menor que o esperado
- Capilar danificado: perda de fluido interno, resultando em leitura fixa ou reduzida
- Heater desconectado ou TC em aberto: sem a parcela de aquecimento pela corrente, o WTI indica apenas a temperatura do óleo (funcionando como OTI)
- Descalibração: desvio progressivo por envelhecimento dos componentes mecânicos
WTI indicando temperatura maior que o esperado
- TC com relação incorreta: corrente no heater desproporcional à carga real
- Heater com resistência alterada: gera mais calor que o projetado
- Falha real no resfriamento: neste caso, a indicação pode estar correta e o problema é no sistema de ventilação ou nos radiadores
Contatos de alarme ou trip não atuam
- Oxidação dos contatos: comum em ambientes com alta umidade ou poluição industrial
- Ajuste de setpoint incorreto: contatos regulados acima dos valores de projeto
- Fiação auxiliar rompida: problema na interligação entre WTI e painel de proteção
Tabela comparativa: OTI vs WTI
| Característica | OTI | WTI |
|---|---|---|
| O que mede | Temperatura do óleo no topo do tanque | Temperatura simulada do hotspot do enrolamento |
| Princípio de medição | Expansão volumétrica de líquido | Expansão volumétrica + aquecimento por corrente (TC) |
| Elemento adicional | Nenhum | Heater alimentado por TC |
| Alarme típico | 85°C | 105°C |
| Trip típico | 95°C | 115°C |
| Controla ventilação | Pode (em transformadores simples) | Sim (padrão em transformadores maiores) |
| Norma ABNT | NBR 16367-1 | NBR 16367-1 |
| Obrigatório em | Todos os transformadores a óleo acima de 500 kVA | Transformadores com ventilação forçada e/ou potência elevada |
Boas práticas para instalações industriais brasileiras
Com base na experiência da AgaVolt em subestações industriais, recomendamos as seguintes práticas para maximizar a confiabilidade do monitoramento térmico:
- Incluir o WTI no plano de manutenção preventiva: a checklist de manutenção do transformador deve contemplar a inspeção e teste funcional dos indicadores de temperatura a cada 6 meses.
- Registrar as leituras em cada ronda: manter um histórico de temperaturas permite identificar tendências de aquecimento antes que se tornem críticas.
- Verificar a atuação dos ventiladores e bombas: o WTI só protege o transformador se os equipamentos de resfriamento que ele comanda estiverem operantes.
- Considerar a temperatura ambiente local: em regiões quentes do Brasil, os setpoints do WTI devem ser avaliados considerando as condições climáticas reais, não apenas os valores de catálogo.
- Investir em monitores digitais em transformadores críticos: a conectividade e o registro histórico dos monitores digitais oferecem um salto qualitativo na gestão de ativos, especialmente em plantas com múltiplos transformadores.
- Documentar todas as intervenções: registros de calibração, testes funcionais e substituição de componentes são essenciais para rastreabilidade e conformidade com a prática recomendada de manutenção.
Perguntas frequentes sobre indicadores de temperatura de enrolamento
Qual a diferença entre OTI e WTI?
O OTI (Oil Temperature Indicator) mede apenas a temperatura do óleo na parte superior do tanque do transformador. O WTI (Winding Temperature Indicator) vai além e simula a temperatura do ponto quente (hotspot) do enrolamento, combinando a medição da temperatura do óleo com um aquecimento adicional proporcional à corrente de carga do transformador. A temperatura do enrolamento é sempre superior à do óleo, pois inclui o gradiente térmico causado pelas perdas elétricas nos condutores.
A partir de que potência o WTI é obrigatório?
Não existe uma potência exata definida em norma que torne o WTI obrigatório. A necessidade depende do sistema de resfriamento e da aplicação. Em geral, transformadores com ventilação forçada (ONAF, OFAF) e potência acima de 5 MVA são fornecidos com WTI como padrão. Transformadores menores com resfriamento natural (ONAN) podem utilizar apenas OTI. A especificação técnica de cada projeto define a exigência, e recomenda-se consultar a NBR 16367 para os requisitos detalhados.
Quais são os ajustes típicos de alarme e trip do WTI?
Os valores típicos variam conforme o fabricante e a classe de isolamento, mas os ajustes mais comuns para transformadores com isolamento classe A (limite de temperatura 105°C) são: acionamento de ventiladores entre 58°C e 64°C, acionamento de bombas entre 68°C e 72°C, alarme em 105°C e trip (desligamento) em 115°C. Esses valores devem ser definidos no projeto, respeitando os limites da NBR 5356-2 e as recomendações do fabricante do transformador.
Com que frequência o WTI deve ser calibrado?
A calibração completa do WTI deve ser realizada a cada 3 a 5 anos, conforme a política de manutenção da planta e as recomendações do fabricante do instrumento. Testes funcionais dos contatos de alarme e trip devem ser feitos semestralmente, e inspeções visuais devem ser incluídas em cada ronda de manutenção. Se houver suspeita de desvio na leitura (comparação com medição por termografia ou RTD externo), a calibração deve ser antecipada.
É possível instalar WTI em transformadores que vieram apenas com OTI?
Sim, é tecnicamente possível, desde que o transformador possua um TC de bucha disponível (ou que um TC auxiliar possa ser instalado) para alimentar o heater do WTI. Também é necessário que haja um poço termométrico adequado para o bulbo sensor. A instalação requer projeto de engenharia para definir a relação de corrente do heater em função das características térmicas do transformador. Monitores digitais de última geração podem facilitar essa instalação, pois utilizam algoritmos de cálculo térmico que reduzem a dependência do heater mecânico.
O WTI substitui a termografia como método de diagnóstico?
Não. O WTI é um instrumento de monitoramento contínuo e proteção, enquanto a termografia é uma técnica de diagnóstico periódico. O WTI indica a temperatura simulada do hotspot do enrolamento de forma permanente, permitindo o acionamento automático de resfriamento e proteções. A termografia, por sua vez, identifica pontos quentes em conexões externas, buchas, radiadores e outros componentes que o WTI não monitora. As duas técnicas são complementares e devem ser utilizadas em conjunto dentro da estratégia de manutenção preditiva.
Conclusão
O indicador de temperatura de enrolamento (WTI) é um componente essencial para a proteção e a gestão da vida útil de transformadores de potência. Mais do que um simples termômetro, ele é a primeira linha de defesa contra o sobreaquecimento, controlando automaticamente os sistemas de resfriamento e alertando a equipe de operação antes que a temperatura atinja níveis críticos.
No contexto brasileiro, onde as condições climáticas exigem atenção redobrada ao gerenciamento térmico e as normas ABNT (NBR 5356, NBR 16367) definem requisitos específicos para esses instrumentos, investir na manutenção e na modernização dos indicadores de temperatura é uma decisão que se paga com a extensão da vida útil do transformador e a redução de paradas não programadas.
Se a sua subestação possui transformadores com indicadores de temperatura que não são testados regularmente, ou se você precisa de suporte para calibração, atualização para monitores digitais ou revisão do plano de manutenção, a equipe técnica da AgaVolt Engenharia está preparada para ajudar.
Conteúdo adaptado com base em Qualitrol Corp.
Imagens: Miguel A. Padrinan, Rene Terp, Kindel Media e Pixabay via Pexels.
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